02/11/2010
Cem Título
Queria bater na porta do seu quarto agora. Assim sem avisar.
E te olhar como você é, como conheço por trás das máscaras, das vestes e das pompas. Você me retribuiria esse olhar a um palmo do meu rosto, avistando a você mesma, no úmido reflexo dos meus olhos. E daria conta do sorriso leve e infantil inflando suas maçãs ao extremo da alegria. E eu lhe pediria quinze minutos com a maior convicção do mundo de que esse tempo bastaria e de que o mundo todo esperaria. Te convidaria para dançar pela primeira vez. Dez segundos de cada música nossa, como se pudéssemos conversar em dança, como tantas vezes fizemos entre citações. Cada estrofe, cada frase, cada suor e lágrima, cada alegria despejada entre tanta saudade.
De rosto colado, olhos nos olhos, esqueceríamos do tempo, importando somente a concentração na respiração do outro, e o outro na do um. E de repente um abraço, desses que não se planeja, que é obra do acaso. Nesse momento nada importaria pois seria o nosso abraço...Qualquer coisa de chuva lá fora, pé descalço, relógio, barulho, cigarra, compromisso... Seria só eu e você.
Quando déssemos conta, já haveríamos de ter extrapolado o tempo, a sanidade e a felicidade. Então eu te colocaria na cama e você dormiria em segundos, mesmo sem se despedir. Eu não me importaria, pois você teria a criança ainda estampada no rosto, com lampejos de sorrisos, daqueles de quando se sonha algo bom.
Dormiria a minha menina.
E eu beijaria o cantinho de sua boca com amor. Um beijo que não esfrega para não despertar mas dura mais que deveria.
Então, eu partiria para casa, sem me dar conta do trajeto, até me ver em minha cama...
Olharia o teto, a moldura do gesso, até as cortinas dos meus olhos também me convidarem para o sono.
Nesse momento, eu a encontraria novamente, em outro tempo, em outra vida. Nessa coisa de sono ou de sonhos.
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